Blog-Amigo
31/01/2007, 18:44
Arquivado em: Post-it

ElesOntem eu visitei um blog-amigo que estou acostumado em bater à porta todos os dias. Nele encontrei um texto sublime que retratava sua paixão incondicional por um homem cujas as qualidades vinham em contradição as pretensões dela.





Ela é uma mulher extremamente madura e de ações sóbrias;
Ele é pacato, medroso e vive em uma bolha que ele chama de mundo;
Eles formam um casal apaixonado, destes que se vêem pouco por dificuldades impostas.

Em seus breves momentos juntos, eles se amam verdadeiramente e consomem seus corpos com muito tesão;

Ela descreve cada sentimento, momento e prazer que sentiu, assim como sua dor, sua carência e sua vontade de ser completa com ele;
Ele, amarrado ao mundo é dono de muitas desculpas e covardemente abre mão do ouro que tem hoje;
Eles perdem a cada dia, horas, minutos, segundos que poderiam ser vividos intensamente, juntos, no mais vigoroso sentimento que a humanidade pode cultivar;

Ela descreve tudo em seu blog secreto, onde eu sou o único espectador
Ele desbota o cenário vivendo na bolha a espera de um telefonema dela.
Eles quando juntos serão eternos, deuses incandescentes, atores de um palco iluminado ao som de aplausos extasiados;

Eles, quando separados… não fazem verão.



Ela é um caramujo
30/01/2007, 23:37
Arquivado em: Espelho

Caramujo = Ela dormia sempre encolhida, seenfiando em baixo de mim...Era o caramujo que me enfeitiçava, o cheiro de coberta no pescoço e teu jeito manhoso de acordar, teu vício de cheirar a minha boca e te esfregar no banho com esponja, tua gargalhada ao me ver andar como criança, beijar o dengo, comer pipoca com manteiga, assistir o L.O.S.T juntinhos na colchão.

Atí…ati mozino! Naum…naum…

Escutar você sorrindo me apertando e beijando, machucando meu rosto na tentativa de coloca-lo dentro de seu peito. Eu queria aprender a falar delicadezas que não fossem tão tristes, como estas aí em cima, delicadezas que não fizessem a gente se sentir pequeno e escuro por dentro e com medo de tirar as meias e pisar no chão gelado. Eu acordei com saudade. Saudade é bom pra acordar com a gente. A gente levanta e deixa a saudade dormindo quietinha na cama, com medo dela assustar com o barulho do vento entrando pela janela. Eu queria aprender a descrever o que senti, aprendi e o quanto sou grato por ti. Queria não te perder assim, no espelho trincado, no parta retrato vazio, na aliança sem dedo, na gaveta ao lado de seu perfume preferido. Eu tenho medo de acordar a saudade, deixa ela lá, dormindo, hoje serei mais rico que o luar, aquele cúmplice de nossas caminhadas no calçadão a beira mar. Tenho tanta fá em mim, tão pouca crença em ti e uma insignificante esperança em nós.



Lego-Lego
30/01/2007, 02:23
Arquivado em: 1º Dia

Check-up total, freios, rodas, óleo…

Passo no banco e saco um pouquinho, o suficiente para os vinhos.

Primeiro vou até a casa de P que está sempre atrasado, ele também está eufórico e com as malas nos braços me estende a mão e aperta forte, seu olhar revelava um certo obrigado, mas quem deveria agradecer era eu.  No caminho para casa de C paramos em um mercado, compramos alguns biscoitos, salgados e uma pizza para assar no anoitecer. C trazia pouca coisa, o que foi uma surpresa e depositou tudo com avidez no porta-malas do carro, estava com pressa, pois ainda queria aproveitar o sol e a piscina. K foi a última, e diferente de C ela tinha muita coisa para colocar no carro, escutou P  esbravejando por conta do peso, mas sem dar muita atenção, se sentou ao meu lado, arrumou o cabelo, baixou o quebra-sol e se utilizou do espelho, marcando com brilho seus lábios grandes e carnudos.Ao chegarmos, me encarreguei de fazer a primeira brincadeira e joguei C na piscina, a água estava quente e o dia brilhava azul sem nuvens, quase impossível de não se deliciar com água. Ficamos horas ali, aproveitando o sol e a água fresca e quando o astro rei se pos a descer, e se intimidar atrás das montanhas da serra, ela me encontrou.
Eu acariciava seus cabelos e ela sorria de volta em meu colo, devo ter ficado vermelho quando ela se deitou e encostou a cabeça em minha perna, mas engajamos em uma conversa tranqüila, os quatro, a beira da piscina com o sol poente em nossas costas, um final de tarde laranja e um crepúsculo lindo de se fotografar e eternizar como o fiz em minha mente.

Foi K quem deu os primeiros passos, primeiro um “selinho”, disse ela que era para me manter acordado, depois um abraço que deixava suas mãos bailando as minhas costas. Estava quente aquela noite e por algum motivo, a luz se acabou, nos deixando no escuro por duas horas. Como havia poucas velas, tivemos que interromper a conclusão do trabalho e como já era tarde, resolvemos conversar no quarto. C e K estavam assustadas e não queriam dormir em outro quarto, por conta disso eu e P jogamos alguns colchões e travesseiros ao chão, e formamos um retângulo onde caberiam no mínimo umas dez pessoas… A madrugada avançava rápida, C já estava sonolenta por conta do vinho e P já respirava fundo, em transe, nem escutava e nem seria testemunha do viria a acontecer.

 K: W…? W…? Você esta dormindo? Se não estiver, pode me fazer um carinho até eu dormir? – sem pronunciar nenhuma palavra, comecei a brincar com seu cabelo, enrolava-o atrás de sua orelha, retirava-o de cima de seus olhos, e por minutos foi assim, sem nenhuma interferência. K virava de um lado para o outro, inquieta, ansiosa e juntou uma de suas mãos na minha. Uma brincadeira gostosa de toque se fez presente, me deliciava com a maciez de sua pele, sentia o calor que ela emanava de seu corpo. Trançava-mos os dedos e apertávamos a mão um do outro. Eu me perguntava neste momento o que estava acontecendo, se era real e o que estávamos fazendo ali. Tudo aquilo não era normal, estava muito próximo e crescia em mim um desejo incontrolável de lhe beijar, possuir e relutante, algumas lágrimas corriam pelos meus olhos, pois se tudo aquilo fosse sonho, que minha vida acabasse assim, sem despertar e eu seria feliz, eterno e completo. Minha boca tremula, não parava de me denunciar, suspiros eram ouvidos, tantos deferidos por mim, quanto por K, que passeava com suas mãos sobre os meus braços e voltava a apertar e cruzar meus dedos. Ela me desejava, estava claro, mas eu não podia com aquilo, não queria brincar com aquele fogo, tinha medo de me queimar e antes de eu mencionar qualquer palavra, antes de um gesto ou movimento, K passou seus lábios quentes em minha mão, baforando um suspiro quente e longo, acendendo em mim uma brusca chama de paixão. Minhas mãos percorreram toda extensão de seu tronco, enquanto meu corpo pousava delicadamente sobre o seu, meus dedos se enrolavam em seus cabelos enquanto minha mão passeava sedutoramente por sua nuca e ao cerrar o punho eu lhe beijei como um anjo, soltando a pressão de meu corpo, nos abraçando com extrema violência, rasgando a pele um do outro em arranhões e mordidas, foi uma explosão de sabores que veio a tona, tanto K como eu esperávamos por este momento e isso ficou nítido e eterno
em minha mente. Passamos a noite em claro, nos beijando, sem trocar palavras, apenas afeto. Era como lego-lego que se encaixava, era o beijo mais gostoso que eu provara, era o início do meu melhor sonho e de meu pior pesadelo, da minha mais ardente paixão e da minha mais delicada desilusão.

Continua no próximo post.



Corte de Papel
29/01/2007, 11:24
Arquivado em: Devaneios

www.reycastro.com.br - uma salsa para se perder... Melancolia nunca foi meu forte, tem sido insistente nos últimos dias, tentando me empurrar ladeira abaixo. Resisto, não à deixo tomar conta, me apego em meus afazeres, me prendo em outros olhares. Recorro aos princípios, me deixo esquecer, tapo os ouvidos, mergulho mais fundo e retorno a vida, limpo, claro, objetivo.  Mas hoje esta diferente, tenho uma pequena fissura no músculo, dessas que ardem como corte fino, causado por uma folha de papel, quase insiguinificante, nem chega a doer, apenas arde. Arde com gosto de desilusão, de fumaça de cigarro nos olhos. Com salsa no ouvido e a imagem de alguém que você ama injetando em si algo que você tanto odeia. Nem é preciso procurar, nem tentar saber, as coisas vem e vão, sem uma reação, dependendo apenas da ação.  Te conformas com o que tem, és volúvel e se deixa perder por pouco, te afastas dos bons e te deixa consumir pela euforia, se faz menina, descrente, alegre e sorridente. Não te percebes do mal que te faz, nem mesmo te preocupa com teu reflexo no cristal.

Seguindo o recado daquele que de olhos flamejantes não me convenceu… eu vou, estou indo… e assim vai ser, bem longe de você, já me perdi e você também…Eu sempre te amei, desde o ínicio até a despedida, e assim vai ser por muito mais tempo, e isso é muito provável que aconteça.Derramarei muito mais lágrimas do que imagino e passarei muito mais noites em claro, e isso é provável que aconteça.Posso te amar pela vida inteira, e isso é muito provável que aconteça, mas estou aprendendo a ficar sem você, e é sem você que eu quero ficar.



O um de verdade.
26/01/2007, 15:50
Arquivado em: Devaneios

Todos os dias nós aprendemos alguma coisa, e ontem, ao ficar em casa sem fazer nada, apenas rejeitando as ligações dos amigos, me penitenciando por pensamentos infames, eu lembrei o que mais de bom já tive, já senti. Um amor, e ele pode ser de vários tamanhos, pode ter várias formas, vários pesos, várias medidas. Pode ser profundo ou superficial, maduro ou infantil, longo ou curto, pode passar como um tufão ou como uma brisa de verão. Este  amor troca confidências, troca juras, troca feitiço, troca dúvidas e experiências. Pode ser forte ou fraco, distraído ou atento, pode vencer tormentas, dissabores e oferecer alento. O meu amor pode sobreviver a distâncias e atravessá-las num segundo através do pensamento. É como um vício, uma droga, desencadeado por uma paixão ardente. Produz sorrisos, momentos perfeitos, produz sonhos e insônias, produz palpitações, angústias, agonias e ilusões.
Um amor verdadeiro se perde no tempo, caminha pelo passado, atua no presente, se encaminha para o futuro e adormece na eternidade.
Um grande e verdadeiro amor ilustra noites enluaradas e dias ensolarados. Um amor tem lembranças de lugares, de cheiros, de músicas e de sons. Tem sabores, às vezes doces, outras vezes amargos, mas todos sempre bem saboreados. Pode iluminar a vida ou escurecer o coração. Pode ser real, virtual ou transcendental, porém sempre será igual. Pode ser impossível, improvável, mas pleno no coração. Pode ter testemunhas ou ser oculto e mesmo assim ser vivido intensamente. Pode ser clandestino e anônimo, pode ter o nome de uma flor e ainda assim ser um grande amor.  Aquele amor de verdade pode ser castigado pelas agruras da vida e persistir inalterado e majestoso. Pode jamais se consumar e ser forte como uma rocha, profundo como o fundo do mar. Pode ser arriscado, difícil, perigoso, inadequado, mas mesmo assim almejado e correspondido. Pode sobreviver a intrigas, invejas, calúnias e sair vencedor. Não vê idade, cor, religião, raça ou aparência, não tem preconceitos, nem preceitos, não faz distinções.
Um amor não fere e se ferir, assopra. Tem marés, altas e baixas, fracas e fortes. Pode ter muitas histórias, fabricar poemas, inspirar versos e canções. Não tem perguntas, porque jamais necessita de respostas. Precisa para adormecer a companhia de um outro amor e para despertar um toque desse mesmo amor. Pode ser contido, travado, reprimido, ou declarado. O verdadeiro amor pode subir montanhas, cair em precipícios, atravessar desertos, envolver-se em tempestades, afundar em oceanos e ainda assim sobreviver. Pode dar frutos e lançá-los ao mundo cobertos de amor também.
Um amor tem cheiros e cores, o cheiro da maçã, o branco da paz, o azul do afeto, o rosa do carinho, e o vermelho da paixão. Comete loucuras, pecados, milagres e magia por vezes se arrepende e volta a cometê-las novamente. Dá espaço, cede momentos, expõe idéias, lança argumentos, sem jamais violar sentimentos.
Um amor pode escravizar-se e sentir-se livre. Um amor profundo acontece, resplandece, revigora-se e amadurece.
Um amor pode ser sábio, desinteressado, confiante e altruísta. Pode se perder na poeira do tempo pode se desfazer através dos anos, mas sempre terá sido um amor imenso. Pode ser eterno ou fugaz, pode ser o primeiro ou o último, novo ou velho… Mas ardente.
Ah…um amor só não suporta ser vivido, sonhado e mantido sozinho. Um amor precisa de outro amor para sobreviver, se assim não for, não terá sido um amor, terá sido apenas uma grande dor. Destas que agente foge, se perde e desespera em busca da única coisa que pode lhe trazer a paz novamente… o um amor de verdade.

[+] Sim, este é um recado direcionado [+]



De Baixo da Terra, Descendo do Céu
24/01/2007, 11:18
Arquivado em: Sonho

É cedo quando eu vou ao encontro dela, denominada Saúde, ela recebe todo tipo de pessoas, sem discriminação, ocupada em sua lógica de poucos segundos, com meia luz e relógio de ponteiro. Não sei quantos anos ela tem, mas acredito que já seja uma senhora, pois era pequeno quando passava por ela com minha mãe.Sentado em um de seus muitos filhos, próximo à janela, com o olhar perdido, sem sentido para um sentido, percebendo os reflexos das luzes explodindo e relinchar dos trilhos e freios, dos bocejos e viradas de páginas de revistas e jornais, livros e documentos que prendem o olhar de seus donos, escravizando-os em um transe, fazendo-os passar desapercebidos, desinteressantes.Vou tentando não recordar, mantendo a guarda, me consumindo e me valendo de uma coragem que não sei como surge, mas surge.  

Um sonho hoje:Um anjo desce do céu, olhos amarelos brilhantes, cabelos escuros encaracolados, corpo forte e definido, apenas de calça, feitas de algum material prateado, descalço, de um semblante sério e rígido desferindo um ataque de brisas suaves
em minha direção. Ao tocar o chão, pude reparar o quanto era forte e quanto de vida havia nele, um cheiro doce de jasmim perseguia aquele iluminado. Uma voz retumbante como trovão eu pude escutar e seu recado era claro, como a luz que emanava de seus olhos, sua boca não fazia um só movimento, mas eu o escutava, ali, imperador e firme, com o rosto sério e o olhar feito faca em minha direção.

Relutante ao seu recado, serrei meus olhos e meneei a cabeça negativamente, tendo como resposta  em um brusco movimento, suas asas abertas me envolvendo e o aproximando ainda mais de mim. Senti um medo indescritível, diferente do que estamos acostumados a sentir quando somos ameaçados, ele não tinha maldade em seus olhos, mas havia uma ameaça séria e desconfortante, um recado duro em forma de conselho, algo que teria que ser seguido, não importando a minha opinião. Pude ler isso em seus olhos, que se fixaram aos meus enquanto se afastava de mim, ainda sem desviar o olhar, bateu as asas duas vezes e em um único salto, alcançou o céu misturando-se as nuvens, me fazendo escutar maus uma vez o trovão:

Viva…viva.



Por imagem
20/01/2007, 21:09
Arquivado em: Devaneios



Rotina 2ª Parte
18/01/2007, 16:36
Arquivado em: Devaneios

Ela é um polímero de “cadeia longa” composto de um só monômero, carboidratado, classificado como polissacarídeo. É o componente estrutural primário das plantas e não é digerível pelo homem. Alguns animais, particularmente os ruminantes, podem digerir com a ajuda de micro-organismos simbióticos. É comum nas paredes celulares de plantas, tendo sido assim notado pela primeira vez em 1838. Ela está naturalmente na maioria das fibras puras de algodão, sendo encontrado em toda planta na combinação de lignina com qualquer hemicelulose. Celulose, que junto de tinta vermelha de caneta Bic da Tia Mailde vira um recado diecionado, um bilhete ou simplesmente uma questão.   Rotina não teria continuação se Dark Lilith não percebesse. Ao pagar, ela o esticou juntamente com o troco, com aquele batom vermelho-sangue-de-boi que costuma usar, a nordestina Mailde sorri, da uma piscadela e sai em direção a sua cozinha, chacoalhando os ombros como quem ouve uma salsa gostosa, e cantarolou algo em voz alta, alegre, cheia de sí, convencida de seu ato, meretriz de concórdia com seus aproximados 62 anos, ela é uma personalidade incrível, um exemplo de bondade e respeito que somente ela pode expressar. Me encontrei com a autora no elevador, mas ela tímida e sem coragem apenas trocou alguns olhares, aguardou a chegada de seu andar e partiu, me deixando passar a tarde toda de um dia de trabalho curioso e interessado. A tinta vermelha estava desenhada de uma forma leve, arredondada e muito bonita, lembrando a escrita de uma jovem que diariamente descreve em sua agenda, cheia de clips e embalagens de bombom, doces, objetos que ganhara de um certo amor secreto. Nele havia, o telefone, nome e uma frase…
O nome é T

O tel é ****-8256

A frase: Quero tomar café com você amanhã, me avisa se eu posso?