Arquivado em: Espelho
Voltei a sentir a mesma coisinha quente e amarga em meu estomago, aquele medo que não me visitava à tempos, volta a bater em minha porta e sussurrar
em meus ouvidos. Me faz escrever com letras lindas as maiores tristezas de minha vida. Eu ainda preservo aquele sorriso, o mesmo que você me dizia ser formado por feitiço, sarcástico e safado. Por mais que eu nade nessa tigela de leite amargo, tenho certeza que não vou alcançar a borda jamais. A delícia que era acordar no domingo e te ouvir reclamando, os banhos demorados e cheios de risadas, as horas perdidas dentro do carro, o sabor de seus beijos dentro do cinema, o cheiro de nosso sexo avassalador no lençol. Esse arco-íris não se repetirá e saber disso com a certeza que tenho hoje me dói até os ossos.Queria poder fazer uma carta com o endereço desse seu portão, esse que formata a vida de todos e que se tornou o ponto de encontro de alguns perdidos, desencontrados. Desencontro, será essa a palavra? Ainda não tenho motivos para tentar, me atentar e fazer o que eu realmente desejo fazer, perdi essa minha característica tão marcante, força de minha personalidade e de minha alta confiança. Tenho certeza de que tão logo eu volte a ser o que sempre fui, acharei um caminho, uma trilha e vou percorrer esse rastro de migalhas essa longa e tortuosa estrada de pedras e espinhos. Não quero ter um coração, já não sei para que ele foi feito e seco, ele só faz doer.
Jogo-o fora ou apunha-lo-ei com sua adaga?
Arquivado em: Espelho
Não quero discutir as nossa diferenças hoje, em verdade quero apenas lhe dar um recado:
Não me chame desse nome se não vai mais estar comigo. Que saco!!!
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Eu sei que você anda fugindo de mim. Tentando se esconder em uma desculpa e outra morrendo de vergonha do que resolveu fazer a si mesma. Eu sei que agora deixou o cabelo crescer e o pintou de chocolate para adoçar um pouco mais a sua vida, sei também das noites mal dormidas que já teve e a dor de cabeça deste domingo que veio acompanhada de uma ressaca avassaladora. Eu sei muito de você e essa parte eu não queria saber, justamente essa que me incomoda e que por muito tempo fez sofrer, essa que me trai e que me desespera, que mesmo acompanhada de receita médica não me acalma nunca. Tire seus olhos castanho de mim, rasgue este sorriso sarcástico e chore um pouco, não serei mais o mesmo protetor de sempre, não lhe darei ouvidos e lhe deixarei descoberta esta noite, dormir de conchinha não faz parte de meus planos e lhe garanto, esse inverno será muito mais rigoroso e quando as asas de sua liberdade perderem as penas douradas, sua queda será no chão frio e molhado, coberto de lodo pútrido. Já reparou? Não há mais fotos suas em minha cama, apenas o barbeador que me deu funciona e continua ali, ocupando espaço no seu orgulho virtual de 30gigas.
Arquivado em: Devaneios
Eu queria que você não me trata-se assim! Nunca lhe fiz nada para que tivesse essa sua atitude, de completo abandono e desconsideração. A culpa é minha eu sei, deixei muita gente puxar o meu tapete, fui calmo o bastante para resolver muitas situações pacificamente e a imagem que criei foi desse que aceita e que não briga, desse que feito de bobo uma, duas ou três, jamais sairá batendo os pés e fechando o rosto, fazendo bico e virando a cara. Imagino o que deve pensar, que imagina que sabe falar comigo, que sabe os caminhos para me dobrar, que sabe o tom que vai me enfeitiçar, te desculpar e agir com naturalidade engolindo tudo e te deixando tranqüila. Imagina você que eu realmente me importo, que me preocupo e que fico me roendo as unhas do dedão do pé, pensativo e nervoso, angustiado e eufórico por momentos ao seu lado, discutindo relação, querendo saber de você e de sua vida. É… muito provavelmente é assim que o cara que conhece age, é assim que ele tenta se manter ao seu lado, diferente de mim que prefere apenas caminhar, seguir e esquecer, não se preocupar, não se envolver e sonhar, sonhar que tudo tem final feliz e quando subir as letrinhas deste filme, perceber com facilidade que temos apenas uma coisa em comum… as nossas diferenças.
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Sabonete, adoro te passar o sabonete. Você sorri com a língua nos dentes e me belisca a barriga e morde no ombro. Você diz que é seu o que eu nem sei se realmente existe. Olho de dentro de mim e não sei quem é esse seu homem. Por isso peço várias vezes para você me explicar. E você fala de cada parte do meu corpo que não é de mais ninguém a não ser de você. É tudo meu, você murmura. E aí você me tem por partes e eu me percebo por partes, só que o todo, nunca se encaixa. Por isso preciso ouvir sempre e sempre e sempre que eu sou seu, preciso ter essa certeza. Eu preciso de você. Sem você, eu não sou nada.
[+] Recado Direcionado [+]
Sinto tanto a falta destes momentos. E pensar que ainda levarei uma vida para ter isso novamente!
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Olhos castanhos me procurando, procurados, brilhando, angustiados e cheios de remorso, duvidosos e interrogativos. Foi assim que te notei hoje, nesse retrato que esta de semblante pesado, irritada com sua própria ira e inconformada com seus próprios defeitos. Nem em minha mão você queria pegar, nem mesmo na foto você abriu um sorriso. Onde foi que eu te arranhei que doeu tanto? Como foi que eu passei por esse e outros tão difíceis sem ter esbarrado em seu orgulho? Será que eu notei a mentira que me contava na ponta da cama ou fingi ser apenas o que não queria ser?Quando tenho um problema eu tento resolve-lo, não questiono o quanto ele é difícil, demorado ou irritante, me causa asco saber de suas preferências agora e o pudor a qual se referia não é mais uma questão
em nossas vidas. Tudo se acaba, tudo é uma reação em cadeia, quando um novo bebê nasce, com ele uma nova mãe se forma e o resultado é uma conseqüência desse ou de um outro ato. O tempo que não tenho hoje é exatamente a conseqüência de seus atos no ontem e sua pouca resistência a volúvel necessidade de vida é reflexo de toda sua ironia. A luz que lhe dei foi usada com pouca sabedoria, te iluminou durante vários dias e te fez acordar, perceber o que você poderia conquistar, e eu era útil nesses dias. Mas essa luz não veio de você, não foi criada pra você e tinha apenas uma pequena parcela de toda sua iluminação voltada pra ti e foi em um pequeno escorregão que ela se apagou. Se trancou em um castelo longínquo e cheio de armadilhas, um castelo desabitado, de paredes negras e úmidas formadas por uma rocha chamada coração. Verde da cor de oliva e escura como uma noite sem luar, uma verdadeira mistura de podridão e enxofre pairam no ar e torna aquele ambiente ainda mais sinistro, sombrio. Podem me chamar de frio, de calculista, mas não podem negar o que já fui enquanto a vela ainda queimava.
Arquivado em: Devaneios
Queima, arde, dói. Nem sei por que eu insisto tanto, eu, que tenho me preparado tanto para evitar estes momentos, acabo inconscientemente me traindo. A música que toca hoje é a mesma que tocava no carro aos domingos depois de horas deitados juntos, em frente a sua casa, embaçando o vidro, trocando carinhos. A mesma música que conta uma despedida e depois um reencontro, a mesma que durante anos foi cúmplice de nossas trocas, de nossos olhares, de tantas fotos e sorrisos. Aquela que você chamava de nossa, de tudo a ver! Não quero que você a cante para mim, mas gostaria de dançar com você novamente, beijar seu sorriso e escutar você sorrindo.
Arquivado em: Espelho
Acordo cedo, junto os meus papéis na cômoda, coloco-os na pasta. A documentação já esta quase toda pronta. Quero sair correndo para receber o ar fresco na cara. Tenho várias idéias na cabeça. E um coração cheio de sentimentos-coloridos. Busco inspiração no que está a minha volta. E em textos, principalmente, quando são escritos por almas que desvendo com sorrisos. Saio de casa cantarolando canções bem baixinho. Músicas novas. Músicas antigas. Tanto faz. O que importa é o quanto elas despertam em mim aquele cara sonhador-inquiéto. Ele adora observar o vai e vem no metrô. Mas, às vezes, ele adormece assim que a música se mistura a seus devaneios e uma viagem não muito longa tem início. E ele trafega entre rochas e ruínas, dores e espinhos, coliseus e templos, sangrando por dentro e firme por fora, mantendo sua aparência de menino feliz.
[+] Recado direcionado [+]
Quando esse frio aumentar, não lembre de mim, mas não me deixe aqui sozinho. Traga ar em seus pulmões e vontade de vencer, só assim terás sucesso
em sua investida. Quando o frio aumentar, lembre-se do que faço e já fiz. Prepara-te para ser lançada ao vento, só assim me encontrarás novamente.



