Arquivado em: Minha Drª.
O meu celular não parava de cantar, uma após a outra, durante o período de 16hs. E ele veio o caminho todo cantando exatamente o que eu queria ouvir, a play list era perfeita e tinha um sabor inigualável. A minha maior vontade era matar a vontade de você e eu não consegui, nem cheguei perto disso, e olha que a play list estava no repeat e eu tive muito tempo pra pensar em muitas coisas a fazer aí. Mas, o nosso tempo foi repleto de você e eu e uma overdose de banhos longos e quentes agarrados a uma vontade mútua de controlar o tempo, fazer com que ele não seja o vilão da história, não seja o nosso inimigo constante a nossa maior ameaça.
Agora eu posso te dizer Drª! – Eu escolhi você.
Arquivado em: Devaneios
Não quero somente ser encontrado em minhas palavras, quero olhar e perceber a distância, as dificuldades, os desencontros e mensurar os dias e as noites em que passarei assim, com o pensamento vagando em lembranças, com os olhos cheios de lágrimas e o peito repleto de saudade. Quero olhar e perceber quantos dias faltam, quando será a próxima vez, saber onde desembarco, para onde vou e onde nos encontramos. Não quero a dor da expectativa, mas quero a euforia da véspera, quero teus beijos e recuso suas lágrimas, aceito seus abraços e dispenso sua ira, não teremos tempo para ficarmos bravos um com o outro, pois teremos muito tempo para sentir saudade.
Arquivado em: Sonho
Eu o olhava atentamente, seguia seus passos, cada movimento de seu corpo…
Eu o espreitava com cuidado, adivinhava seus pensamentos, cada inflar de seu peito…
Ele voou, o falcão rapineiro bateu asas e voou em direção a sua presa. Para o azar dela era eu quem adivinhava os seus pensamentos, acompanhava o inflar de seu peito, espreitava com cuidado, olhava atentamente, seguia seus passos, cada movimento de seu corpo.
Eu estava debruçado em uma janela e ao olha para dentro, a minha direita, encontrava uma linda silhueta, um corpo feminino, nú, adormecido de boca aberta. (risos)
Levantei vôo como o meu falcão rapineiro e também ataquei a minha presa.
Arquivado em: Minha Drª.
Quais são as palavras que aquietarão esse fogo que sinto aqui? Essa vontade tremenda de sair correndo em direção ao oeste tropeçando em todas as barreiras e vencendo cada uma delas.
Essa tarde foi especial para mim também, não pense que só você sente dessa maneira, que elas escorrem só por esses dois riachos daí, companheiros desse par de estrelas brilhantes, rubros, negro-castanhos. Eu sei que a música que tocava era severamente pesada e ao mesmo tempo em que lhe infligia àqueles sentimentos, penava sobre mim algo que não vou ousar descrever aqui, algo que eu não vou dizer o nome, algo que eu não quero que seja só meu, afinal, de que adianta agarrar-me a isso sozinho? Você conseguiria amar por nós dois? Eu não…
Por enquanto, aproveito para guardar comigo o aroma das flores, se por sorte eu conseguir escapar do seu jardim de orquídeas, terei um grande caminho a percorrer, eu sei. Não enterre dentro de si nossos abraços, beijos, e carinhos nem mesmo os imaginários e não construa cercas de arame farpado entre o toque e a fantasia. Deixe os primeiros passos criarem raízes, assim quando caminhar entre o vento, quando sorrir no espelho, quando chorar no banheiro, quando lembrar do meu cheiro, quando me amar por inteiro, serei seu, tanto quanto serás minha.
Desculpe-me, preciso de suas desculpas, eu que temo as euforias de minhas “formiguinhas”, namorada, nunca lhe perguntei se quando me aceitou como seu namorado, você as aceitava junto…
… dúvida…
Quantos escritos serão necessários, quantas folhinhas de calendário serão viradas, quantas agendas serão rasgadas?
Arquivado em: Minha Drª.
Encosto o meu rosto no seu, sinto suas lagrimas me molharem e seus dedos me agarrarem o braço com maior firmeza. Escuto a suas doces palavras com sua voz trêmula e sem força, com certa dor nos olhos seus braços me envolvem e você me olha no fundo dos olhos e agente se entende sem ter que dar uma palavra nos dentes. Você se debruça em meu peito, uma explosão de lágrimas e suspiros, um choro de dor, de saudade que começa e que tem prazo longo. Beijamos-nos, agarramos, apertamos, choramos, tudo em vão. Faço-te rir, tiramos sarros, falamos como bebês um para o outro, trocamos carinhos, particularidades, suas e minhas. Te conquisto, você me hipnotiza, te convenço, você me ludibria, te adoro, você me deseja, te beijo, você me lambe o queixo, te bato, você me arranha, te culpo, você me perdoa, te iludo, você me engana, te louvo, você me canta, te belisco, você me chupa, te agarro, você me empurra, te coloco lá em cima, você me encaixa em você. As horas passam… minhas mãos sobre as suas, teus cabelos em meus lábios, nós dois sentados, esperando, adiando, até alguém anunciar: São Paulo – Última chamada!
Arquivado em: Post-it

Foi deslizando seu olhar pelo labirinto daquelas pernas, subindo silenciosamente até onde repousava o segredo.
Delta inundado onde suas mãos mergulhavam ávidas e cegas de desejo.
Triângulo sem bermudas, exposto e belo; um vácuo onde, perdido e cego, poderia naufragar.
Um mar tempestuoso repleto de perigos … ou quem sabe, calmo e deliciosamente irresistível.
Que fazer senão mergulhar?
Era como andar às cegas num pântano, ou quem sabe, equilibrar-se precariamente numa corda bamba. Incrível como reencontrá-la, encarar aqueles olhos oblíquos e inescrutáveis, e admirar aquele sorriso velado, falsamente ingênuo, lhe causava uma desconfortável inquietude.
Um frio percorreu sua espinha e ele sentiu medo. Mas, ao mesmo tempo, uma insana e diabólica atração o impedia de recuar. E ele se perguntou: porque nos tornamos, assim, por vezes, vítimas de nós mesmos?
Paralisou como se o tempo e seus sentidos houvessem sido tragados por um vácuo.
Segundos após, atônito, percebia suas mãos descendo febris e deslizando por aquele corpo, como um caçador que aventura-se por uma mata escura e conhecida, mas não menos perigosa e repleta de armadilhas.
Assim lançou-se sobre ela, como escravo de um sortilégio, cego, faminto e voraz. E ela o recebeu, doce, úmida e ardente. E aplacou todas as suas angústias. E saciou todas as suas fomes.
Arquivado em: Minha Drª.
Olhe o espelho, sorria, deixe seu cabelo de lado, não se esconda, pinte a boca de vermelho, escureça os olhos, durma uma hora a menos hoje, tudo por conta da ansiedade, da vontade, desse momento. O primeiro pensamento é destinado a você, quando o despreguiçar é longo na cama, risadinhas escapam a todo momento, lembrando você e aquele teu sorriso sarcástico na minha tela. Fiz um coração, um desenho, mandei pra você e mesmo assim não aplacou a minha sede, a minha vontade de ter um pouquinho mais você debaixo do meu cobertor. Vou para o banho e canto aquela canção que me lembra teus olhinhos, gripados e brilhantes, cansados por conta da avançada hora em que nos encontramos aqui, sentados, um de frente para o outro, calados, apenas sentindo. Em quase 5×5cm me deslumbro com suas divertidas caretas e quando não esta me vendo, acaricio artificialmente teu rosto, te imaginando ao meu lado, sentindo teu cheiro. Trocamos pimentas, risadas e caretas por horas e quanto mais tempo passo aqui, mais tempo quero estar com você.
Roube meu coração e mantenha-me calado
Eu sinto que minha hora, minha hora chegou
Deixe-me entrar, destranque a porta
Nunca me senti desse jeito antes
E as rodas continuam girando
E os tambores começam a soar
Não sei que caminho estou seguindo
Não sei por qual caminho eu vim
Segure minha cabeça dentro de suas mãos
Eu preciso de alguém que entenda
Eu preciso de alguém, alguém que escute
Por você eu esperei todos esses anos
Por você eu esperaria
Até o reino chegar
Até os meus dias
Meus dias terminaram
E diga que virá…
E me libertará
Apenas diga que esperará
Esperará por mim
Em suas lágrimas e em seu sangue
Em seu fogo e em sua inundação
Eu ouvi você rir, eu ouvi você cantar
E eu não mudaria nada
E as rodas continuam girando
Os tambores começam a soar
Não sei que caminho estou seguindo
Não sei por qual caminho eu vim
Por você eu esperaria
Até o reino chegar
Até os meus dias
Meus dias terminaram
E diga que virá…
E me libertará
Apenas diga que esperará
Arquivado em: Minha Drª.
Antes que o sono venha, eu repasso os meus pequenos e curtos momentos com você, nossas não raras risadas, nossas pimentas e a troca de carinho. Ver-te ali na cama, sorrindo, me enfeitiçado com sua mão espalmada em minha direção, me chamando, me tomando por completo. Para dormir eu nos repenso juntos, sozinhos num jardim em plena tarde recente enfeitiçada por duendes e fadas. Sonolentos e deitados sobre a grama, rodeados por flores e joaninhas. É como se eu estivesse debruçado pela janela imaginária do quarto do seu AP, nos observando. Eu pudesse olhar pra fora e lhe dissesse que o asfalto escaldante sob a janela substituía o infinito azul do mar cujo cintilar ilusionista adornava nossa fantasia. Tracei um vértice no cruzamento entre cada segredo que me foi revelado durante os suspiros fortuitos que te denunciam quando meus dedos resvalam secretamente descendo pela barriga, adentrando por tecidos, verificando sua excitação numa reta onde agracio “uma amiga oculta” um caminho novo. (…)
Ela escreve versos no vidro do box do banheiro. A água quente-fervendo queima em jatos as suas costas, mas a dor da espera é maior. Eu disse que chegaria para assistir dois filmes, para ficar enrolado no edredom com o ar condicionado ao máximo, e que a deixaria desenhar eternamente nas minhas costas com as unhas até adormecer-mos. Eu sentiria muito a sua falta sem isso! Porque mesmo a rinite obstruindo as narinas, quando se está perto demais da alma o perfume é mais forte. E ela quer que eu a sinta crua. A porta abre devagar. Como pôde entrar tão violentamente em minha vida e ser assim tão discreta? Ela me abraça bem devagar. E vai moldando o suor do corpo na camisa com as gotas de água que escorrem pelo meu corpo. As roupas caem sobre o azulejo. No box, as unhas vermelhas ainda versam. Meias brancas, rabiscos poéticos. Acompanhada, ela abre ainda mais o chuveiro. Quero jatos mais fortes. Ela diz jatos. Mais fortes. (…)
O que seria dele? O que seria ela? Ela era, sem ele, vazia. Oca. Possuía um abismo interno que cria teias. E sozinha ela seguia, não por falta de opção, porque ela sabia que no fundo, no fundo, ele existia.
Em algum lugar. Em algum país. Debaixo do seu nariz. E só, ela não morreria. E ele? Ele pensava… onde ela estaria. Se ele se adaptaria ao jeito e a cidade dela. Se ainda saberia escutar com carinho as músicas do headphone que ela colocaria. E se ela entenderia o que ele dizia e faria. E assim, viviam as suas vidas. Nem sabiam que um existia para o outro. E seguiam. Sós. Com seus lençóis.Mas se eu descobrir os seus segredos, se eu os encontrar, como, distraída, uma criança perde seus brinquedos em recônditos insólitos da cozinha, da sala, do quarto de dormir- Como uma criança que um dia os escondeu e que depois, dá-lhes as boas-vindas, como se não os tivesse visto ainda nunca em sua curta vida. Mais curta que sua vida de menino era sua memória, o que lhe proporcionava novidades cotidianas que, apesar de serem-lhe constantes, não lhe causavam a perda do espanto? Ele já não era mesmo capaz de recordar-se de que fazia, tão pouco que podia surpreende-la. O menino vivia uma vida de espantos e sorria-lhes, alienado e distante, e depois dava-lhes as mãos e saía para brincar com eles. Sem dificuldades sem medos, sem restrições, apenas havia sei jeito de vencer, de ultrapassar. Não me tome por esse mesmo menino: não que eu não me surpreenda. Ah, como eu sei me espantar, eu aprendo o sobressalto a cada momento, eu sou tão descuidado. Eu me lembro de tudo, de tudo eu quero uma memória, um fiozinho de lembrança renovada, de recordação que sou capaz de reinventar mil vezes, sem esquecimento. Minha história de lembrar é assim, parece um reguinho d’água que brota muito lá longe, numa nascente persistente e transborda lá na frente. Barulho de história é bom de escutar, de embalar para dormir, minha história lembrada faz encher uma canção de ninar. Mas eu não sei e acho que não quero aprender a não inventar. E se eu der com os seus segredos, essas histórias feitas em novelos, enquanto percorro os corredores da sua vida, sonâmbulo e silencioso, seguindo o som chiadinho da sua máquina de fazer vontades “tricóts”, e neles enroscar meus pés como gatos que se embolam enlaçados nas histórias, boas de fazer correr pela casa, de meter as garras, e depois modorrar, em fim de tarde? Eu sou tão descuidado no caminhar. E se os seus segredos se enroscarem nos meus pés feito raízes de plantas aquáticas, por baixo do escuro de um rio que correu do reguinho d’água e que agora se demora porque tem preguiça de ir um pouco mais além? Se eu colher, distraído, os seus segredos que brotam nas frestas do seu chão, pés de mato que você se encarrega de semear durante o sono, mato que cheira bem feito dama da noite, o que será do que um dia sonho chamar de meu e de seu? História lembrada de inventar mil vezes começa com a tosquia da lã, com o tingimento em cores que nossos olhos viram ? Agora ainda não é tempo de lã, não é estação de colorir, acredito que não, digo que acredito que não querendo dizer opostos, tentando chegar ao fim do novelo pela ponta de cá, inventar estações mais avante. Eu sou tão descuidado. Me perco nas palavras no sentido, nesses caminhos e nos labirintos de seus lábios, em cada pinta de seu decote, nos ramalhetes de uas orquídeas. Se eu agora aceitar os seus segredos, se eu chegar com a violência arrebatadora de quem vem para violar o que se não desejou ainda expor, eu estaria indubitalvemente preso ao chão, ao seu chão, pior que raiz de árvores velha em praça de igreja matriz em cidade no interior. Se eu tomar os seus segredos, eles me pesariam mais que uma mala cheia de uma infância toda triste e todos sabem e se você ainda não sabe, escuta, presta atenção, os segredos alheios, os que nos são dados, fazem a gente ficar levinho, é o jeito mais simples de aprender levitação: o mistério de tudo, os seus mistérios.
Eu aguardo, eu sei isso também, fazendo das tripas coração, porque não tenho paciência milenar, ela se consome em segundos. Será preciso que eu a encomende de longe e que a guarde dentro de um relicário que atarei ao meu pescoço enquanto eu deitar antes do sono. A paciência, a paciência é muito escura, às vezes tem lua, e sempre aclara de manhãzinha. Vou continuar olhando você enquanto dorme e prossegue na sua semeadura noturna, eu te vigio mas prometo nada encontrar, não toco em nada com medo de quebrar, eu sou tão descuidado com as mãos, eu aguardo a estrela da manhã, como se eu dormisse para acordar numa poesia, eu espero seu sinal. O seu segredo vai então estar me esperando, me olhando, em cima da mesa, ele estará embrulhado em fino papel de seda, vai ser pôr minha mão sobre ele, ele vai se rasgar, eu não tenho muito jeito, em volta dele haverá uma fita, um laço que desfarei sem que me oponha resistência, uma linha que não conheceu e não conhecerá a antiga história dos renitentes nós. Haverá uma dedicatória invisível, que não encontrará nem tinta nem papel que a suporte ou traduza — vai ser preciso aprender a língua das lãs coloridas: ” E são seus. São meus os seus segredos?”, eu ouvirei você dizendo, como quem me pede uma pista, como quem quer fiar comigo e eu te direi: “tenha também paciência: os meus segredos, eu só os guardo para que você os procure, para que os queira encontrar”. E assim, com esse pacto invisível, agente vai aprender a se gostar, se tocar e com todas as lições que eu falhei em ensinar, você, com essa cara de borboleta vai trazer risonha em minha direção, a chave que falta para abrir a ultima tranca de meu coração.



