Sementes-árvores
17/08/2007, 21:26
Arquivado em: Devaneios

Encontrei fotos dela no fundo de uma velha gaveta. Me lembrei que ela comia arroz branco, batata, cenoura e filé de frango em um almoço. Depois do jantar, brincávamos de caretas um com o outro e boa parte do tempo se perdia entre sexo-gostoso e filmes alugados. Ela reclamava de suas brigas e indiferenças no trabalho, escutava as pessoas expelindo trapaças pelos poros e também desejava a mania que elas tinham em contar vantagem das viagens e passeios, das experiências vividas e da mania de moda.

Não foi a forma e nem o sabor do amor que tínhamos, estávamos ligados por algo incompreensível mesmo para nós dois, mas esse laço foi rompido, mesmo tragicamente ele ainda exerce força e essa força vem assim em formas de lembranças e de sonhos, sonhos que me alimentam com uma paixão ardente e eterna, que me causa angustia nas noites de domingo e liberdade nas de sábado. O que era teu continua aqui, guardado sem poeira, em um cantinho no alto do meu coração, suas lembranças são deliciosas e eu as colho de pé em pé, nas arvores de amor, que existem em meu pomar, no canto esquerdo do meu peito, ora palpitante, ora escandalizado e frágil. E como todo bom pomar, os frutos desse grande sentimento vão se juntando um a um debaixo da sombra dessas grandes árvores e com uma grande chances de sementes-árvores um dia brotar.

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