Fragil como cristal
30/09/2008, 18:43
Arquivado em: Devaneios

Estou esperando que o tempo mude. Que essa poeira que invade e irrita meus olhos se desfaça. Esperar não é o suficiente e eu sei disso. Mas o holocausto que toma conta de mim, nestes dias, me faz apenas esperar.
Frágil como cristal. É como eu me sinto agora, sem muitos recursos para poder investir em causas que sei bem, não me levarão a nada. A confusão que faço agora, não é proposital, é conseqüência de alguns atos impensados. Ações mal calculadas e importâncias que destinei a exatamente o que não dava retorno. Hoje a tarde vai chover. Eu espero a chuva. Vou me banhar nela hoje. Deixar que cada uma delas lave meu corpo e carregue com elas, ladeira abaixo, um pouco desse amargo que carrego no peito. Hoje eu escolhi caminhar por entre a chuva, vou sentir cada gota explodindo contra a minha face, e de olhos fechados vou agradecer. Eu vivo, frágil como cristal.



Olhos de Vampira
29/09/2008, 18:24
Arquivado em: Sonho

Tenho tanta coisa pra mudar. Tenho vontade, a coragem, sei até como. O que me falta é o querer. Ontem foi a vez de mais um sonho psicótico. Sem beijo, sem abraço, apenas uma mordida em meu ombro…



Um som na janela do meu quarto
25/09/2008, 20:59
Arquivado em: Devaneios

Manhã cinza, again, você acorda sem muitas vontades com um desejo incerto em mente, prepara o café, come o pão recém feito com a manteiga, o cinza invade as cores da tua vida, o rádio se acende para preencher os espaços que faltam, nesse instante uma voz incerta, em falsete, como que saída de um conto de Oscar Wide, um clima gótico sem explicações já que o que suporta aquelas notas é puro soul, um soul que de tão antigo soa moderno, não se sabe identificar se quem canta é uma mulher ou um homem, mas nem se precisa, apenas fechar os olho e deixar que Antony cante com sua voz tremula e tremenda, transformando o dia em uma linda foto preto e branco.
Antony and the Johnsons, soa antigo e por isso mesmo é tremendamente moderno.
Combina comigo? Não sei, mas adoro Jazz e Soul.



Sorte ou Revés – Tanto faz!
18/09/2008, 19:27
Arquivado em: 1º Dia, Devaneios

…nem era tão tarde da noite assim, e os sonhos e lembranças invadiram o quarto e a mente com uma força tremenda. Foi depois de derrubar aquele lindo cartão prata, com uma maça aveludada na capa. Nele, palavras de carinho e amor eram ditas, promessas foram feitas e uma breve justificativa explicava o porquê de você estar tão ligada a mim.
Eu não sei o motivo de este estar em separado, longe de todos os outros que ganhei, fora da pequena caixa de lembranças que virou você. Mas sei o efeito inebriante que é viver um pouco da nostalgia, de olhar foto por foto, olhar os CD’s e os sorrisos. É dos sorrisos que eu sinto mais falta. Das risadas espontânea dos momentos em família.
Hoje, sinto uma falta doentia de tudo o que queríamos construir, dos sonhos, das motivações. É triste perceber que hoje, mesmo só, ainda carrega contigo o mesmo olhar que pontificou você e eu. Aquele que fazia você parecer mais baixa, mais cinza, mais distante. Nunca foi minha intenção deixar que isso voltasse com a mesma rapidez de quando nos apaixonamos. Em verdade, gostaria que pudesse ler. Gostaria que pudesse me escutar. Não se trata de remoer o passado, mas sim, justificar o presente e se preparar para o futuro. O seu e o meu não é mais incerto. Escolhemos cada um, um caminho. O meu foi esse de hoje, de brincar de pula-pula, de rir com todos e de todos. O seu, foi o de agora, de brincar de poesias e se arrepender do faz de contas. É bem verdade que agente ainda se combina no olhar, mas eu sou uma outra pessoa, diferente daquelas que encontro nessas fotos e muito de você também mudou. Do revés, fica manchado os dias em que choramos. Da sorte, ainda somos crianças e temos tudo pela frente.

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Corre! Corre! Ainda tenho um abraço pra lhe dar…



cheio de cicatrizes
15/09/2008, 19:16
Arquivado em: Devaneios

Não encontro mais o lugar. Eu o perdi de vista há alguns anos e não sei mais como se cheira. A trilha que eu costumava seguir não me leva mais onde o jardim cheirava jasmim.
Ao passear os olhos pela cidade noto os pecados expostos através de palavras nas sacadas dos prédios. Eles ofuscam muito mais brilhosos do que o reflexo das minhas lágrimas. Choro pedaços de vidro, por isso tenho o rosto todo retalhado e cheio de cicatrizes. Essas dores já me marcaram demais. Redesenharam o meu olhar. Modificaram minha alma. Roubaram as minhas certezas.
Foi um assalto.
Será que eu não soube lutar?



Rosa e Preto
13/09/2008, 01:37
Arquivado em: Devaneios

Todas as mulheres são delicadas – as que vestem rosa e as que vestem preto, as com rímel nos olhos e as sem, as que cruzam as pernas ao se sentarem e as que dão gargalhadas altas. A alma feminina é delicada porque torna tudo muito cuidadoso. As mulheres, queiram ou não, têm o poder do cuidado. Antes não tinham muitas opções, cuidavam da casa e de tudo que estivesse dentro. Hoje elas possuem as opções de cuidarem delas mesmas.

A alma feminina é leve. Onde quer que estejam, mulheres gostam de leveza. Não a leveza das coisas materiais, mas das situações que vivem. Estejam elas em uma casa escura, com objetos estranhos, o que as tornam felizes é a leveza do que vivem neste ambiente. Ser uma mulher feliz é estar leve, é viver leve, como uma folha que, lentamente, cai de uma árvore alta. Essa é a imagem que tenho de leveza.

A alma feminina é aberta, como um livro que se deixa ao lado para continuarmos lendo dali a poucos minutos. Cada uma tem sua maneira de ser, mas a espontaneidade faz parte desta abertura. Ser espontânea é manter essa alma aberta. Estar sempre aberta para ser atenciosa com os outros, para falar sobre tudo o que sabem, para rir da vida. A alma feminina tem força. Enfrenta a dores de maneira diferente da dos homens. É como se, por mais que doa, passassem por cima daquilo que as machuca. Se deixam calejar. Engolem seco. Com toda aquela delicadeza, de leve, sentam e choram por aquilo que as faz sofrer. Mas há algo que as faz levantar, de maneira mais delicada ainda, e as faz continuar…
Da alma feminina é complicado falar, o que citar sem ser delicado? Repare na pele, no cabelo, nos lábios, eu reparo. Costumo reparar nas unhas, nos olhos, na cutícula, nos colares, nos dentes, nos brincos. Tudo é alma feminina, é o conjunto que a faz sublime.
Desculpe-me amigos, mas mulher é definitivamente a benevolência desse mundo e na minha percepção não existe nada mais leve, que o jeito simples de ser mulher.



Daqueles dias em que você não me entende
11/09/2008, 19:27
Arquivado em: Minha Drª.

Daqueles dias que a gente acorda sorrindo, sem dores nas costas – a garganta um pouco irritada, mas eu acho que é de não falar tudo o que deveria na hora certa… sua hora chegará.

Hoje esta nublado aqui, quinta, dia de comer peixe. Tenho amigos queridos que estão muito longe, longe demais, mas nos falamos por e-mail e icq, tenho uns bem próximos que falo por telefone, e olhe lá, e outros que não falo nunca e que gostaria de encontrar pra uma longa conversa, mas o acaso faz ser breve e apressada as conversas – olá, como vai? eu vou bem e vc? eu vou indo buscar meu lugar…essa semana eu te ligo…não esqueça…não esqueço… – e tem os amigos novos aqueles que aparecem sabe-se lá de onde, e que sintoniza. Tem outras pessoas que a gente adora, e gostaria de ser amigo, de ser próximo, de trocar idéias, experiências, mas não dá jeito. Não sei bem porque estou escrevendo isso, mas parece que o peso dos dias de trabalho aliviou um pouco, entreguei a pouco o último da semana: uns planejamentos da F-Truck, check-list da feira em Johannesburg… mais um monte de processos. Isso é uma das coisas que eu ando me propondo mudar na vida, deixarei o emprego, cedo ou tarde. Tenho desperdiçado meu tempo com coisas que não me acrescentam e nem me dão prazer. A pergunta é por quê? Por que devemos perder nossas preciosas vidas na tentativa vã de agradar os outros em troca de dinheiro – pra poder consumir objetos de desejo que compensem a frustração diária que isso causa (hoje comprei aquela moto que eu tanto cobiçava, aquela roupa, fiquei todo bonito, dancei na frente do espelho e fui comer no japonês, amanhã não tenho mais dinheiro e tenho que voltar praquele emprego maldito que me suga, mas fui feliz por algumas horas).

Sorria, você está sendo filmado e enganado, mas lembre-se o cliente tem sempre razão. Durante esse turbilhão aprendi a canalizar energia através das minhas mãos: e funciona. Aliviei dores em mim mesmo e passei a crer em coisas que achava impossíveis. Tudo é possível (arrepiem-se cabelos sem fé) a vontade e a curiosidade são molas propulsoras de vida. O medo a insegurança a dúvida a incerteza o receio tudo correntes prendendo sonhos em corpos tristes e doentes, ando cada vez me achando mais estranho e cada vez gostando mais disso, ando feliz. Meio incompleto, mas feliz.

Posso me comparar a um copo de café, fresco e quente. Pronto pra queimar a língua de quem o tenta provar. Disposto a amargar o gosto de quem um dia ousar provar.

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Cuidado com o que deseja!



Desconexo, sem sentido
10/09/2008, 23:43
Arquivado em: Devaneios

Desconexo, sem sentido, mas é na emoção que tudo se altera, muda o que se vê, e mais que isso, faz com que vejamos o que outros não poderiam ver, e não apenas imaginar.  Essas e outras afirmações e dúvidas não são minhas. São de tantos outros que nem ao menos contar serão capazes.

Não, não sou uma espécie de anamorfose, mas me decifrar como um livro não será o mais viável. A propriedade que lhe causa a amenidade de suas vontades deve ser a mesma que provoca ânsia a me ver. Quer reparar essa dificuldade? Encontre o caminho certo, aquele mais tortuoso e descrente possível. Um vez feita a sua escolha, aprimore os seus sentidos e tente ver além desse simples corredor de luzes amarelas. Tente algumas portas, algumas janelas, quem sabe eu não apareça por ali, e aí, cortamos caminho, pulamos fases. Não será de mãos dadas que caminharemos, mas será lado a lado, medindo tudo, correndo o mesmos perigos, vencendo os mesmos obstáculos. Desconexo, sem sentido. Ainda assim, melhor, tanto pra você quanto pra mim.