cores
28/11/2008, 18:45
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Ela pintou de amarelo tudo o que eu tinha de verde. Não passou para o vermelho por falta de adeus. E no amarelo foi dançando, misturando a aquarela  e pouco de azul que eu tinha foi manchado de laranja. No laranja ficou meses a fio, e esperou o inverno pra cinza virar. Entre nuvens e geadas, com o tempo a passar o pigmento se foi e o branco nasceu, dando lugar a muitos olhares, castanhos, verdes claro, preto, azul, quem sabe mel, quem sabe rosa. E rosa ficaram as bochechas do menino, que de santo não tinha as asas, mas tinha os olhos, que de tanto amarelo enfeitiçava-o no espelho. E foi assim, que amarelo voltou e demorou a partir. Mas quem sonha, transforma, quem acredita, realiza e amarelo acendeu até vermelho ficar. Ficar vermelho e vermelho ficou de vergonha do seu pensar, do que podia imaginar. E vermelho ao desbotar vai virando rosa. Rosa de carinho, rosa da ternura, rosas das rosas de um jardim que eu prometo plantar. Rosa no jardim que nome posso dar? Rosa, rosa, rosa e mais rosa, todas juntas e a se misturar, entre talos e espinhos, cravos e folhas, pólen e pétalas formando arco-íris. Rosa partiu, partiu meu coração, e partiu…

Amarelo, verde, vermelho, azul e laranja todos misturados no embalo de suas pegadas que cor isso vai virar? A cor agora volta a ser verde, cabe a você entender, Verde de maduro ou Verde de esperança?

 



minha recompensa é você
27/11/2008, 22:56
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Pra você que já se doou de mais sem receber. Pra você que prefere omitir e tem medo de assumir, se libertar, se entregar. Saiba que é estranho olhar  dentro dos olhos e ver em sua frente tudo que você sempre quis. Você pode simplesmente achar que isso é coisa de um homem apaixonado. Eu já te conheço é fácil de eu notar, fica transparente, está no seu olhar o que se passa na sua cabeça. São várias as intrigas nem dá pra calcular. Quando o seu coração achar o seu lugar, você vai perceber, que amor é pra sentir e não pra entender.

Pra muitas pessoas o amor chega depois… bem depois…  

Um dia verei o fim das crises em seu coração e quem sabe um dia a sua vontade não seja eu. Por hora, saiba que o meu coração esta deserto, eu não nego que você marcou, nem posso, ontem, hoje, sempre, eternamente…

Vê se me entende!



Estar cego ou ter coragem
26/11/2008, 18:36
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No banquete, falava-se de amor, de intrigas, da epopéia de um novo relacionamento, da família. A mesa nem é tão longa, mas todos ficamos nos arredores, ouvindo participando. Eu vejo sorriso, alegria, vejo carisma e afeição. E foi assim durante a infância, aumentou na juventude e me formou o homem que sou.

A saudade que me assombra hoje é acompanhada de uma engraçada paz. Paz por saber que a escolha deles os mantém unidos e certos em seus desejos. Conquistas que vieram com tantas dificuldades, com barreiras que foram vencidas, com oportunidades aproveitadas e com longas horas de diálogo. Isso tudo virou exemplo, uma cartilha fácil de ler pra quem a acompanhou desde o início.

Meus pais, eu não poderia desejar outros pais…

(…) ela fica feliz de saber quando eu falo contigo. Pra mim, o mais gostoso é perceber uma certa euforia em sua voz, me questionando, querendo saber os detalhes. Existe uma torcida, não revelada, mas é percebida por mim. Você também à conhece bem, o seu jeito engraçado, simples de achar as coisas, de pensar nas coisas. Ela não mudou em nada.

Ela sempre insistiu em perguntar de você. Persiste em me fazer perguntas sobre você, as vezes me cobra algumas respostas, mas eu não as tenho, e percebo que fica triste com isso. Mas segundos depois, desvia seu olhar, feito lâmina com corte de diamante, bem no centro de minha pupila, sorri, e tudo o que poderia ser pesado, se desfaz e se acalma nesse olhar, olhar de mãe, de amor eterno.  

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Conversar de verdade faz doer?

Sabe o que é? Eu estou com uma leve e doce impressão de que isso vai machucar! Mas não ligo, de verdade eu não ligo. Ou me sobra coragem, ou o desejo me cega. Torço para que seja coragem, com a coragem, posso seguir qualquer destino, mas cego, bem cego eu vou precisar de ajuda…



são as lágrimas das estrelas.
25/11/2008, 18:51
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Há diversas maneiras de falar a mesma frase. São várias as possibilidades para expressar a mesma emoção. Existem muitas formas de ouvir o que os outros têm a dizer. Mas existe algo que agente sente sempre de uma única forma. A insegurança, o medo.

Essa insegurança errante vaga pelas eternas madrugadas, lado a lado com os cordões das calçadas úmidas de sereno, que na verdade são as lágrimas das estrelas.
Sempre incompreendida, luto permanente, olhar transbordante que emoldura a face transfigurada pela desilusão em noites de olhos arregalados a saltitar na escuridão. Sem falar no corpo que arde febril e imobilizado pelos soluços presos na garganta.

É assim que eu vejo! Difícil de lidar, estranho de entender…

Insegurança não faz bem pra gente.

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Se fosse aqui dentro, eu tentaria fugir, mas sei, ela te persegue, te encontra, te cerca e me toma em seus braços. A insegurança carece de minha alma e a domina, sufoca, suga meu ar, minha vontade de continuar. Despe-me diante da covardia, despreza-me, e me apunhá-la pelas costas.
Tira-me do caminho da esperança e faz do meu desejo um labirinto. A lua chega e fiscaliza sorrateira e reflete falsas ilusões, um brilho perdido, um sorriso sem alma de uma boca de sal e me ensurdece com palavras um dia sussurradas ao ouvido e hoje soltas pelo vento.
Deixo escapar um suspiro longo e profundo que parece partir meu peito e um olhar complacente. Mais uma vez acredito que é possível e abro um pálido sorriso dos sempre descontentes de uma alma doente, condenada e apaixonada.
Como é pesada a cruz… Meus ombros doloridos e arqueados não suportam tanta dor e de repente me vejo de joelhos, soluçante e trêmulo como uma folha seca vagando entre o bueiro e a beira da estrada.
Em segredo confesso querer arrancar de mim esta alma de poeta. Não suporto tal condenação, mas ser bandido, vagar pelas sombras, perder-se completamente por quase nada e estar incondicionalmente preso a algum coração sempre me pareceu fascinante e essencial como ar.
Nunca entendi os limites, os portões fechados, as chaves, os chinelos sem par, a falta da sua mão na minha, meu olhar que não encontra pouso e a agonia. Nunca entendi testas sempre enrugadas em profundas marcas de expressão transformadas em desolação, assim como não entendo a cadeira sempre vaga ao meu lado, o brinde solitário, os meus jasmins que não brotam flores.
Não há mais perfumes, o paladar se foi com o último beijo, o coração quase pára em meio a tanto silêncio e os dedos não se entrelaçam mais.
Alma pecadora, poesia que prende e me liberta, o fastio, nó na garganta, cheiro de chuva no meio da tarde quente, enquanto aguardo ansioso pela chegada do verão.
Ouço mais uma vez a mesma música, mas não consigo ouvir a tua voz, ouço a chuva e sinto o vento me abraçar.
Tento virar a página, há um capítulo novo esperando para ser escrito, quem sabe com rimas um pouco mais alegres…

Soundtrack / Borboletas – Vitor & Léo

Percebo que o tempo já não passa
Você diz que não tem graça amar assim
Foi tudo tão bonito, mas vôou pro infinito
Parecido com borboletas de um jardim
Agora você volta
E balança o que eu sentia por outro alguém
Dividido entre dois mundos
Sei que estou amando mas ainda não sei quem
[refrão]
Não sei dizer o que mudou
Mas nada está igual
Numa noite estranha a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu
Percebo que o tempo já não passa
Você diz que não tem graça amar assim
Foi tudo tão bonito, mas vôou pro infinito
Parecido com borboletas de um jardim

Agora você volta
E balança o que eu sentia por outro alguém
Dividido entre dois mundos
Sei que estou amando mas ainda não sei quem

[refrão]
Não sei dizer o que mudou
Mas nada está igual
Numa noite estranha a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu

[refrão]
Não sei dizer o que mudou
Mas nada está igual
Numa noite estranha a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu

Sempre voltam
E o seu jardim sou eu

 

 

 

 

 



Frankstein
24/11/2008, 06:46
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Respire… respire…mais uma vez….

E assim você vai repetindo, dia após dia. E assim vão as semanas, anos e tudo que era cantiga de ninar, passa a ser apenas álbum, lembranças, vagas e puras lembranças. É fácil pintar este cenário, não o de hoje, mas o vivido nestes dias. Onde havia sol, colocamos nuvens, onde havia sorriso, lágrimas, na alegria, solidão. Pronto, seu Frankstein está pintado.

Tinha tudo para ter sido assim, mas não foi. Por obra do acaso, acredito que tenha sido o acaso, ou não, quem sabe foi algo divino, algo espirituoso. Não, definitivamente não foi nada disso. O que tocou e toca hoje em meus ouvidos jamais deixou de tocar. E foi por isso que eu jamais me abati. É, eu não me fiz de vítima, nem criei um bicho-papão. Eu não culpei ninguém, eu não tinha ninguém pra desculpar, ninguém faria o papel de vilão e eu não queria ser o mocinho. Eu não pintei nenhum Frankstein. Foi bem melhor assim! Eu não criei mágoa, por que não havia mágoa a se guardar, eu não me irritei, não praguejei, não, nada disso. Do contrario, eu só me preocupava mais, mas sabia que não podia, que eu teria que deixar as coisas como estavam, exatamente por que as escolhas não me pertenciam. E foi assim, pensando mais em outra pessoa que eu levei tudo com leveza.

Hoje, o orgulho que tenho disso é imenso. Orgulho de ter sido bom, de em momento algum ter julgado, duvidado, culpado. Essa escolha fez com que os meus olhos jamais se voltassem com supremacia, com grandeza.  Assim, conservei os dentes, a amizade, o carinho e é claro a simpatia. Eu não me lembro de se quer uma briga, odeio brigas. Não quer dizer que eu seja conivente, eu apenas escolhia não contrariar. Quem sabe esse seja o meu grande defeito?

Por hora, bastava que eu aceitasse. E aceitei.

Foi bem mais fácil assim não foi? Sem ligações, mensagens, sem suplicas. Cada qual na sua. Ah! Foi bem melhor assim. Engraçado não haver espaço pra falar disso, dos dias seguintes. O dia seguinte também conta, afinal, as escolhas são feitas para que possamos desfrutar, ou não, no dia seguinte. Mas nunca houve o dia seguinte. O seguinte foi o que passou, e foi passando e passado virou e em algum lugar da história toda ele ficou perdido, esquecido.

Não dói, não como doía no dia seguinte. Eu via nos olhares, sentia nos abraços. Do pai, da mãe, do irmão, dos amigos. Era ali, nesse momento que doía. Eles sabiam mais que eu, mais que você. Hoje não dói mais, mas quem sabe se vai doer amanhã, ou depois. Pode ser que venha a doer. Pode ser que a calma jamais regresse. Pode ser que sol continue entre as nuvens e que os sorrisos venham molhados com lágrimas e pode ser que a alegria seja apenas passageira. Pode ser, mas nessa onda de incertezas, uma escolha já foi feita. Eu não vou pintar um Frankstein.

  



O primeiro calafrio
22/11/2008, 01:06
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Se alguém me perguntasse hoje, qual foi a melhor sensação da minha vida, não saberia dizer.

 

O calor dos seus lábios rosados pressionados contra os meus revitalizava meus sentidos. As pestanas continuavam cerradas com tanta força que a escuridão ganhava brilhos psicodélicos a se mesclar e piscar em fagulhas coloridas perante meus olhos fechados, tão redundante quanto dizer que seu amor era infinito. Que amor não é?

 

No rosto o rubor ingênuo e fugaz, já tão natural de sua sempre pálida tez acetinada que suava em abundância, lançava ao corpo convulsões de uma paixão alucinógena só conhecida depois de experimentar aquele beijo pela primeira vez.

 

O vento do ventilador dissipava a quentura a lhe subir pelas vestes, mas não diminuía o nervosismo e o tremor de todos seus músculos. E, mesmo com todo aquele ardor, podia sentir suas mãos geladas passeando em minhas costas, se comprimindo dentro das minhas calças.

 

Aquela altura, o abraço ganhava força, o aconchego era imperecível e a paz irradiante dos dentes brancos a mordiscar seu lábio, tinha cheiro de morango. Era a paz perfumada do beijo da angelical da menina que levava petróleo nos cabelos longos.

 

Quando ela abriu os olhos, o escuro deu lugar à visão dos olhos castanhos negros e meu sorriso radiante. As mãos de ambos se uniram singelas, arquitetando as medidas para chegar ao peito e tocar a alma. Os corações batiam acelerados na ponta dos dedos.

 

Em declarações mudas, buscávamos novamente um beijo, ganhar espaço e deixar-se abraçar pela paixão, tão pura quanto nós mesmos, que tomava todo o corpo e todo o espírito.

 

Sentindo os seus braços delicados a me envolver, mantive os olhos bem abertos, mirando os cílios delineados, notando o movimento dos músculos faciais enquanto a beijava, permitindo-se apaixonar ainda mais pela beleza exorbitante pertencente ao seu feminino raio de sol.

 

As sombras noturnas escondiam-nas do mundo, e na proteção lúgubre de uma cama, suas roupas escorregaram por seu corpo branco. Fechou os olhos com muita força. A escuridão era tão intensa que ganhava brilhos semelhantes as estrelas. Fagulhas coloridas. De novo e de novo…

 

Se alguém me perguntasse amanhã qual fora a melhor sensação de minha vida, eu diria que fora um calafrio.

 

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Estou com vergonha…

 



O zelo
19/11/2008, 22:27
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No calor do momento parecia que eu estava assistindo as respostas para os meus questionamentos. Ela foi atrás de vingança, e eu precisava ver com os meus próprios olhos que aquilo não ia dar em nada. Como sempre as pessoas se enganam, achando que ao machucar a outra, ficará com o seu coração em paz. Eu zelei mais por ti do que por mim. Você fez tudo por mim, tudo o que eu queria, tudo o que eu gostava. Só nunca me perguntou o que eu precisava…

Agora as escolhas já foram feitas, com as cartas na mesa você terá apenas duas opções. Ou joga com o que tem, ou simplesmente abandona.



além do além
17/11/2008, 23:40
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Eu sei que existem mil defeitos em mim que eu jamais poderei corrigir. São aquele defeitos que eu gosto de ter, defeitos que me valem momentos inesquecíveis, visões, pessoas, emoções, experiências . Existe um em especial, você. Que mesmo além do além, vive em mim como o ontem, com o hoje e estará comigo amanhã.