Um pouquinho para se pensar.
18/05/2009, 23:33
Arquivado em: Devaneios

Vou fazer de conta que o amor nasceu. Nasceu dentro de mim como uma rosa sem espinhos, apenas linda, perfumada. Desde sua existência, aparentava-se firme, segura, bela e destacável. Diferente das demais que a cercavam. Há quem diga que os espinhos de uma doce rosa sejam os seus principais defeitos. Eu prefiro pensar que os espinhos são meros coadjuvantes em seu corpo, informando apenas: “não tão delicada assim”.

Bela e perfumada, a doce rosa possui o caule sem nenhum “defeito”, liso e volumoso, assim como o amor que um dia nascera dentro de meu peito.

O mesmo possui tamanha intensidade, como as cores avermelhadas dessa grande rosa. Era um amor verdadeiro e seguro, assim como seu caule volumoso, que sustentava qualquer ventania. Mas este amor não possuía espinhos. Não feria, não ameaçava intrusos, era apenas um belo amor. E como toda e bela rosa, um certo dia esse amor foi retirado de seu jardim, podado na base de seu caule liso, sem espinhos.

Foi colocado no mais alto jarro luminoso de uma lembrança incontestável, e lá, murchou, dia após dia. Até que suas pétalas não possuíssem mais cores, que seu caule retorcido e seco, fosse rachando com as auguras da vida. Basta um pouquinho só para se pensar. Se esta rosa possuísse espinhos, o amor ainda existiria?



era uma chance
15/05/2009, 21:11
Arquivado em: Espelho

Uma noite que antecede a chegada do inverno. Nem quente, nem tão fria, agradável ao meio ponto da madrugada. Ela se encontra à alguns metros, sentada, com um copo de vodka e suco de laranja. Não é a sua bebida preferida, mas foi seu pedido esta noite. Nada deu certo este dia e a probabilidade de a noite ser pior é ainda maior, que a chances de que sorriso venham a brotar. À sua frente, homens de barbas por fazer, montados em roupas com emblemas das empresas que trabalham. Alguns sentem vergonha disso, para outros é como um estandarte, quase que um troféu.

Ela sabe que será abordada, sabe que vai escutar as mesmas coisas de sempre. Que elogios sobre seu cabelo, boca e olhos serão desferidos, enquanto nenhuma de suas palavras é ouvida. Nem mesmo seu nome ele se lembra. E a investida continua, até a desculpa dela de que alguém esta por vir, alguém que não virá, mas que bastará para retirar dela a companhia desagradável.

Ela acena para o garçom, e mais um copo é deixado em sua mesa, ela não o prova, apenas vaga, longe em seus pensamentos, mexendo circularmente o gelo de sua bebida. O olhos fundos, quase em transe. Pensa no seu dia difícil, nos problemas que a levaram a estar ali, só, se embriagando, tentando se ofuscar ao meio de tantas risadas, flertes e olhares. Incalculavelmente ela observa, tantos rostos, tantas pessoas. Esse movimento percorrido por seus olhos são tem um fim. Estática, engole à seco e suspira! De contra ela, uma alma diferente a observa, punho apoiando o queixo, dedos sobre os lábios. Os olhos não se desgrudam, mas os movimentos se alteram.: Ela – arruma o cabelo. Ele – estala os dedos.

Deveria ser dele o próximo passo, deveria ser ele à pagar mais uma bebida.

Ela sorri, enquanto o observa à falar com o garçom. Abre e fecha o celular, cruza as pernas.

O garçom se aproxima com a bandeja, alguns copos sobre ela. A linda mulher fica eufórica, quase ao ponto de ele perceber. Ela decide dar um último retoque, abre a bolsa, retira o espelho, lápis preto, delineador. Algumas pinceladas, confere os lábios, pronta, está pronta.

A sua frente jaz uma cadeira vazia, sobre a mesa, apenas a conta paga. Ele se foi…