Dás 3
30/07/2009, 01:12
Arquivado em: Devaneios

Ela vem lendo o me blog a muito tempo e resolve me criticar. Me faz perguntas indecentes, tenta invadir a minha privacidade e me julga. E resolve abrir alguns segredos, particularidades.

Eu crio mundos pra viver, não lembro dos meus sonhos, penso pouco no passado, vejo além dos olhos que me olham, acredito por acreditar e cego pulo num abismo que é pura nuvem e de olhos fechados vôo feliz e feliz e feliz  abraço a vontade de amar e sigo voando.

 

O que te motiva?

O fato de eu viver vários amores mas ter a necessidade de conviver com apenas um. O desejo de ter a confiança, o carinho, a companhia, o cheiro, as promessas, o sabor, o convívio, as preces, a alegria, os sorrisos, as lágrimas, o interesse e tantas outras virtudes da pessoa amada.

Como tu agüenta?

Levo na memória uns olhos de cor esquecida e no peito um coração que grita calado. Pego auto-pistas que atravessam, cortam a alma num além sempre promessa, rota de sentimentos congestionados, todos ao mesmo tempo tentando chegar no mesmo confuso coração clamando por carinho, envolto numa fragilidade fumaça que embaça a vista e um som de zumbido surdo zanzando no ar, mas se tudo é destino e nada é acaso, por qual motivo hei de chorar?

 

Acha que vai amar novamente?

Novamente? Eu ainda amo…



so far way
13/07/2009, 19:15
Arquivado em: Devaneios

Acordei hoje e o café deixou aquele velho gosto doce, aquela vontade de ficar triste outra vez, coisa típica dos domingos de inverno, onde sol, frio e nuvens dançam uma música de compasso lento conduzindo os sentimentos até aquela adorável melancolia. Acordei deslocado neste dia de inverno em São Paulo, a tal cidade de muitos sonhos, agora é apenas um signo cheio de poluição que faz arder meus olhos infelizes de homem trabalhador. Podia ser obra daquelas nuvens insistentes transformando o calor de um fim de verão num mormaço pesado, juntando ao cansaço daquelas horas ainda não tão bem pagas daquela semana de pizza de tomate e queijo. Não sei, o certo é que precisava de um pouco de cinza, precisava de calma ou algo no clima para justificar essas coisas que um certo anjo me sussurra pelo quarto. Que o sol faria bem às plantas já me servia de consolo quando se desenhavam os riscos de luz pelo chão de madeiral. As coisas demoram tanto pra mudar e mudam tão rápido ao mesmo tempo em que nos preocupamos com as compras pra fazer no super, o que comer, quando pagar, em que vamos sonhar agora, meu bem será que esse nosso já acabou já acabou? Executando aquele papel tão necessário no teatro que é viver em comunidades capitalistas. Tudo depende do personagem que você resolveu vestir naquela manhã, naquele exato dia que mudou a sua vida. Porque todo mundo tem o dia que mudou a sua vida na sua peça particular.
Mas a grande obra depende de orçamento, outros atores e criatividade para tornar-se factível. E esse é o jogo sutil de existir. Encarnar o personagem, fazer com que acreditem nele, até achar quem pague por ele. Essa é a busca do todos. A grande busca ocidental. “”"Dinheiro”"”. Quando a busca deveria ser a de desvestir o personagem, de olhar profundo por trás das máscaras. “”"Espírito”"”. Por isso insisto em querer ficar triste nesse sábado frio e chuvoso, resisto vivendo o novo século, época do euro, das guerras, da vitória do monetário sobre todas as outras ciências. E o meu personagem me parece tão engraçado e frágil. Ineficaz diante dessa solidão silenciosa que permeia tudo.
E o meu personagem é bufão e é trabalhador, é interessado e cínico, é saudável e viciado, e acorda deslocado nas manhãs de quase todos os dias, sempre o mesmo desde o colégio até os tempos de hoje o mesmo personagem incapaz de acreditar na mentira que inventava de si mesmo, mas pelo menos sincero. Sincero ao ponto de saber que só uma mulher poderia tirar-lo daquela tristeza.

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Tudo passa mas você não, você não passa.
10/07/2009, 00:41
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Alguém me prometa à chuva,  eu quero a chuva hoje. Eu sei que vai chegar a nossa hora, sei que vou ver novamente as suas roupas no armário, reclamando que eu estou invadindo o seu espaço com meus sapatos.

Não deixe que tudo isso passe, não me diga que não se lembra mais. Mesmo que o tempo passe, o que eu sinto não passa. Passam as pessoas, suas histórias, manias, mas você simplesmente não passa. Passam os dias, os carros, as viagens, mas o seu sabor não passa. Passam montanhas, guerras, cometas,  passa a solidão, mas a sede de você não passa.
Eu noto cada fase da lua, passando. Tudo passa, eu ainda ando pensando em você.

Passam os adversários, os amigos, as festas, mas não passa o som do seu sorriso explodindo no ar. E passa a idade, o corte dos cabelos, senhoras, meninas, páginas de vários livros, cantos, amizades, doenças, jogos, a sorte passa, passam os pássaros, finais de semana, as horas, passas as estações, passa o ferro, passa o metrô, a gripe suína, os navios, passam os meus delírios, tudo passa e eu ainda ando querendo te ver.

Passa a chuva que eu tanto esperei, mas não passa esse vício que é amar você. Passam os indiferentes, os dias igualmente constantes, passam as banalidades, surpresas, exageros, passou a minha vaidade, mas não passa o meu sossego de ter você comigo e alcançar a paz.

Passam as saídas, as verdades, as cidades, crianças, folhas pelo chão que o vento leva sabe se lá para onde. Passou a angústia, passaram às nuvens negras, um novo amor, momentos só meus. Tudo pode passar. As promessas que eu me fiz, as palavras que aguardam o segundo certo para se falar, tudo passa. Mais uma vez, passou a vontade de te deixar, a vontade de me deitar e pensar em você dormindo. Passa um monte de gente chata, paixões, a minha vida e a sua vida e mesmo assim, nem por um segundo você vai embora. Fica aqui, persistindo sem desistir de deixar passar todas as vontades, saudades, todas as manias minhas, que são suas comigo. O paraíso se mudou quando você se foi, mas não passou, só se escondeu, assim como os sorrisos. Já que não passa, vou aguardar o dia de ter você ao meu lado. Vou seguir fingindo que o meu amor só fez uma viagem longa, de onde eu a acompanhei partindo, num grande navio se afastando do cais.

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Acre
08/07/2009, 20:34
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Coração acelerado no meio da noite, cheiro acre no ar, o corpo suando, enjôo, uma sensação de angustia me afagando o peito. Não, não foi um pesadelo. Eu acordei como se alguém apressado estivesse me chamando, precisando de mim.
Não gosto de acordar assim, muitas pessoas não vão entender, mas você eu sei que vai. Quando isso acontece é por que alguma coisa não foi bem…

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A MESMA CAMISA
08/07/2009, 00:54
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Saquei do armário aquela camisa azul, de malha leve, que colava em meu corpo. Usei-a tão poucas vezes. Foi o último presente que me deu antes de partir. Ela me traz uma lembrança muito boa, uma manhã quente de sábado que visitaríamos seus avós. O dia estava muito quente e o sol brilhava bastante, você escolheu um vestido leve, uma rasteirinha e prendeu o cabelo fazendo um rabo de cavalo. Praguejava a sua franja incomodando os olhos, prometia que cortaria e daria um jeito nela. Eu escutava muito isso, você praguejava sempre, se prometia sempre, mas não cortava. Estava linda em seu vestidinho e me apressava, me ajudava a escolher a roupa, enquanto eu a provocava com brincadeirinhas, cócegas e atrasava agente.

Hoje eu estou vestindo a mesma camisa. Eu escolhi ela hoje por que tinha intenção de me olhar no espelho, no fundo dos meus olhos tentaria encontrar o mesmo olhar que você me desferiu naquele dia. Acho que na verdade eu queria a mesma sensação, o mesmo conforto, a mesma atenção, o mesmo cuidado. Caberia muitos “eu te amo” nesse momento. Mas não, agente não precisava dizer. Agente só se olhava e sorria tímidos, quase que combinado, combinando um com o outro, completando, somando. Será que um dia agente pode voltar ao início? Reparar os erros, seguir em frente, repreender algumas lágrimas, dizer mais sim um para o outro, pular a parte do adeus.

Eu gostava de ver você adormecer, e quando isso acontecia, eu falava baixinho pra você que te amava. Ficava no seu subconsciente, eu sei disso por que você sorria e me respondia com carinho no rosto. Eu chamava seu nome baixinho, calmo, sereno e quando você me tocava eu repetia que amava você.

Foi daí que nasceu a frase, “Every night i make the wish to feel your breath beside me again”. Nasceram muitas outras coisas a partir de dias e noites assim. Muitos sentimentos, várias verdades, muitos medos, alegrias e muita verdade.

 Agente não precisa de um amor novo, agente precisa vestir a mesma camisa…

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Eu sinto muito…muito mesmo!
06/07/2009, 20:56
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A água da louça do jantar ainda escorria pelas minhas mãos, um beijo de casal apressado selava o bom dia. Acordávamos tarde, despreocupados e de bom humor. Passávamos horas com a água caindo sobre nós, trocando olhares, sorrisos, mas nenhuma palavra. Não era preciso palavras alí, enquanto o vapor da água quente do chuveiro embaçava o box de vidro, agente dançava  e eu murmurava uma canção pra você. Me recordo dos seus olhos escuros levemente inclinados para cima, seu cabelo liso colado ao rosto e seus lábios pedindo beijo. Não havia uma só palavras, tudo era dito em olhares, em carinho. Por muitas vezes essa cena se repetia e terminava na cama, sobre lençóis molhados, em cadeiras de praia e muito sol.

Eu sinto muito! De todo o meu coração eu sinto muito!
Eu queria que você ainda fosse a única, gostaria de abrir os olhos em uma manhã de domingo e ter a sua doce imagem, descansando, respirando levemente, com aquele cabelo lindo espalhado sobre seu rosto e seus lábios fazendo biquinho. Eu queria poder ver isso todas as manhãs, ser acordado ao som das risadas de nossos filhos, assustá-los com um salto, invadindo o quarto, dando lugar a gargalhadas e abraços. Combinar com eles, uma forma carinhosa de acordar a mamãe, fazê-los pular em nossa cama, te enchendo de cóceguinhas. Queria sentir a minha alma sendo completa, observando as suas risadas, as brincadeiras de mãe e irmãos.  Eu realmente sinto tanto. Me culpo, e em muitas vezes te culpo. É tão difícil pra mim. Agente sente muito a sua falta. Você sempre foi a única pra mim, em meus sonhos, nos meus desejos. Tudo que eu conquistava eu queria compartilhar com você. Gostava mais de mim, quando você segurava minhas mãos. Quando sonhávamos em ter as coisas nas noites de verão, deitados, envolvidos somente por lençóis, brincando com as mãos e dedos. Passeando sobre o corpo um do outro. Eu tenho saudade de te cobrir na madrugada, de sentir o seus pés gelados procurando os meus no meio da noite. Saudade de te esperar e ficar me deliciando, enquanto você se arruma, espalha todas as roupas sobre a cama e reclama que não tem nada novo. E a vontade que me dá, de sentir você encostar a sua cabeça em meu ombro, dentro do cinema. Eu fingia que não via você. Mas eu percebia que sorria me olhando, com as mãos apertando meu braço.

Eu sinto muito! De todo o meu coração que sente, eu sinto tanto! Eu sinto pelos dias em que eu não aproveitei os seus sorrisos, sinto por fingir que eu não notava que me olhava, sinto por não deixar que a água caísse por mais alguns minutos, debaixo do banho. Eu quero que me desculpe pelas vezes que eu fui rude, se um dia eu fui. Me perdoe pelas promessas que eu não cumpri, achei que tínhamos tempo, era assim que eu pensava, era assim que eu deixava acontecer.

Me parece agora que o tempo alcançou agente, e de alguma certa forma, que nem você ou eu sabemos, fez com que nossos caminhos percorressem entradas diferentes, mas quase sempre paralelas, eu sentindo sua falta, você me sentindo próximo. Eu queria ouvir a sua voz hoje, queria que o meu telefone tocasse e de repente fosse você. Eu faria você sorrir, eu guardaria o som do seu sorriso por toda vida. Eu queria brincar de “e se” com você mais uma vez. E se eu estivesse aí agora? E se esta noite agente sair pra jantar? E se você cheirar a minha boca? E se eu falar como criança? E se tudo isso fosse possível?

E se eu tivesse direito a um desejo? Eu voltaria a ser criança com você novamente. Escolheria dançar a quadrilha da festa junina com você. Pediria o seu primeiro beijo, roubaria seu lanchinho na hora do intervalo. Grudaria chiclete em seu cabelo, te jogaria giz, esconderia seu estojo, tudo pretexto para ficar ao seu lado. Mas o tempo alcançaria nós dois novamente, e aí, eu protegeria você de tudo e todos, seria mais uma vez seu amigo, te acompanharia nas noites, nos médicos, na dor, na saúde, na vida toda, por quanto tempo ela durar.

Eu faria isso tudo, por que eu não saberia viver sem você. Continue sendo a única, segurando de onde você estiver, as minhas mãos ou o meu braço. Eu verei você em breve…

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Vamos cantar?
03/07/2009, 00:20
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Tire esse peso de cima. O mundo quem faz difícil somos nós mesmos. Você que é dona desse sorriso brilhante. Que atuava com parcimônia, calculava os passos, escolhia as palavras, os gestos e os sonhos. Era irreverente, elegante e sedutora, prometia mundos, inebriava com termos, redefinia a realidade, insistia em envolver e se envolver, vamos cantar juntos até nossos lábios se encontrarem?
Uma canção cantada ao acaso. Foi assim que encontrei a palavra exata pra explicar o que eu sentia por ti, e isso nesses tempos em que sentir é quase proibido, em que amar de verdade é piegas, em que pegar na mão de mãe é coisa de otário, em que pedir desculpas é sinal de fraqueza, nesses tempos loucos que assustam e atropelam, pois por estes dias escutei esta canção que falava bonito assim do meu amor por ti, e quando escutei, confesso que chorei, que fui feliz por instantes e acordes, e que senti vontade de correr pra ti, pra te mostrar.  Olha! O que a gente sente não é nosso, o que a gente pensa tá assim voando pelo mundo, vibrando junto com outras almas, com outras pessoas que nem são conhecidas nossas, que não ligam nem escrevem e-mails, e que mesmo assim sentem e pensam o que a gente sente e nem consegue expressar. Escuta, escuta bem e vamos cantar?

[+] Recado Direcionado [+]

Existe essa insustentável leveza de existir, existe o não querer e o não poder, existe tudo isso, mas existe acima de tudo o amar, e é disso que é feita a felicidade. Portanto: amemos.

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confiança
02/07/2009, 02:28
Arquivado em: Espelho

Te escrevi uma carta impossível, te chamei nas horas mais imprevistas, insisti de um jeito tonto num jogo perdido, e te vi cada vez mais longe e cada vez mais pequena e gigante. Te perdi sem nunca ter te ganhado e não entendi nem metade do que passou com o nosso passado. Por horas foste fogo que me acendeu, por dias foste chama que me queimava, por meses serás brasa que me esquenta. Abri as janelas, mas o sol não entrou, ele foi contigo, preso nos teus cabelos e brilhando pelos teus olhos. Obrigado mais uma vez e mais uma e outra vez. Te escreveria outras cartas longas de amor sem sentido, te escreveria outras cartas longas somente pelo prazer de provocar-te, mas isso só te afasta, e eu te quero perto. Andei meio infecundo. Sem vontade de postar. Sem tempo, mas agora tenho tempo,  mesmo assim escrevo com pressa, olhando para as teclas e não via na tela os erros que o atropelo causava. Era um pouco mais ansioso com as novidades e tinha uma vontade de fazer tudo. Havia perdido nos últimos tempos a inocência de acreditar nos sonhos coletivos, tombos e mais tombos desde o primeiro dia em que vislumbrei alguma ponta de idéia coletiva que poderia se tornar coisas reais, fazem com que seja agora azedo e sarcástico em meus comentários. Causa desgosto ao meu redor, não me importa, vou olhar com um pouco mais de arrogância e desprezo qualquer coisa que me pareça bicho grilo, ou mesmo as grandes idéias de intervir no mundo. Será a idade? Pois acho que não, mesmo tendo passado o “aniversário” em pleno inverno e numa depressão contida,  continuo firme em meus propósitos de fazer o possível para o meu pequeno mundo ser habitável, justo, cheio de esperança e imaginação

Tinha mesmo era perdido a confiança nos outros…

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