Arquivado em: Devaneios
…não está morto, mas também não esta tão vivo assim. Ao menos não dentro do peito de um deles.
Dos 12 aos 15 anos, ele namorou a garotinha do colégio. Ficavam entre uma excursão e outra, intervalos de aulas, passeios, durante a educação física. Ela era rebeldizinha, usava maquiagem forte, all star, ia de saia para aula enquanto as outras usavam somente moletom. Eram um casal diferente, ele todo social e extrovertido, ela quieta e cara fechada. Juntos, eles eram a imagem da juventude sem preconceito, sem medo, sem responsabilidades, a cara da curtição.
No verão de 96 eles se separaram. O pai dela ganhará uma promoção para trabalhar no litoral do Espírito Santo, e lá, ela faria a sua vida. Embora crianças, se despediram como adultos, cada um para o seu canto, sem choro nem vela. Esqueceram de trocar os telefones. Nunca mais se falaram.
Inverno de 2006, 16hs da tarde.Sábado. Dia frio e rigoroso, ele brigado com o mundo, carrega o mp3 com o CD ao vivo do Guns and Roses, veste uma camisa branca, blazer escuro e jeans claro. Entra na loja da Fnac na Av. Paulista. procura um livro, algo interessante que o faça perder horas do final de semana que prometia ser gelado. Som no último volume, folhas sendo passadas rapidamente, lendo muito por cima, a orelha de um livro, dois passos descuidados, um esbarrão. Desculpa!!!
Ele olha atentamente para a mulher que aceita as desculpas sem o notar, nem o mínimo de atenção, enquanto ele vidrado, procura palavras, titubeando o início da frase, mas é o nome dela que explode no ar.
Algumas xícaras de chá, alí mesmo na livraria, muitas recordações, flerte, lembranças e o namorado dela chega para a carona. Fim do reencontro, da sensação gostosa da liberdade juvenil que viveram tão bem. É hora dela partir. Sem trocarem os telefones… nunca mais se falaram.
Dia chuvoso em São Paulo, exato dia 08 de setembro. Metrô absurdamente lotado. Ele segue viagem para casa, mp3 na orelha e um antigo som, que encontrou a pouco tempo atrás, toca lentamente o embalando de volta pra casa. Estação Ana Rosa, ela entra acompanhada de um outro rapaz. Cabelos cumpridos, roupa social, linda, jovial, diferente da garotinha de colégio. Ela o percebe, mas receosa, talvez por sua companhia, o fita demoradamente, mas sem mover um músculo. trocam olhares, até mesmo sorriso, mas nenhuma palavra. Estação Saúde, é a dele, hora de desembarcar, de seguir a sua vida, de baixar a cabeça e seguir em direção à porta.
Uma mão o segura nos ombros: - Rápido, seu telefone!?!… e após as portas se fecharem, ela fala lentamente, para que ele faça a leitura labial… E U T E L I G O…
4 Comentários até o momento
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Me vi no meio disso tudo. Quero tudo de volta. Seu blog é otimo.
Comentário por Gui 11/09/2009 @ 05:04fazia tempo que naum o via taum inspirado Moscolini.. que texto nostalgico. tipico dos inicios de fds.
brigada pela leitura de hj.
bom fds. inté.
Comentário por Wendy Freitas 11/09/2009 @ 22:52parece que vc escreveu um pedaço da minha história…
Comentário por Ju Costa 20/09/2009 @ 14:55deu uma saudadinha…
muito bom fiquei,
Comentário por krishna 03/10/2009 @ 08:15aluciando com o texto quero conheçe
uma pessoa desse geito!!