Humanidade, unanime e inanimada.
19/11/2009, 18:04
Arquivado em: Devaneios

Será que um dia poderíamos sonhar novamente juntos? Seguir por um vale botânico, cheio de caramelos e cores, onde há de existir carinho, paz e somente amor. Caminhar de mãos dadas, de papo para o ar. Sentar-se na esquina e acompanhar o bailar de tantos outros em um ir e vir alegre, sem correria, uma euforia de tendências sem descriminações. Pode ser que o amor entre os tão semelhantes volte a existir. Quem sabe as diferenças sejam apenas as de cor de pele, gostos e escolhas. Quem dera neste tão sonhado patrimônio urbano, estejamos todos voltados com olhos apurados e críticos em favor dessa nossa natureza. Humanidade. Unanime e inanimada ao ponto de esquecer as origens, esquecer importantes seres que fazem esse nosso mundo sustentável. Já se perguntou se o homem não fosse o dono do topo da cadeia alimentar? Se houvesse outra espécie, tão “nobre” quanto a nossa, o que seria de nossa convivência? Não respeitamos nem mesmo o próximo, não damos a mínima para o João da esquina, o Zé da padaria, não sabemos o nome do verdureiro, nem importa o nome do seu gerente no banco! Humanidade, unanime e inanimada, cheia de ambição, de olho gordo na mãe terra, consumindo, devastando, implorando mais, sempre mais.



Meio romance, meio drama
18/11/2009, 00:39
Arquivado em: Minha Drª.

… e quando o coração entende tudo errado e a amizade passa a ser paixão? Sonhos incompletos, dor , vontade, volúpia. Lógico que existe muito mais em nós dois. Sempre existiu. Meu desejo, para ser muito mais que sincero, é o de que nunca nada sofresse mudanças, mas a vida é a vida e dela só podemos contar com o meio óbvio.  É obvio que eu tenho vontade de te ver, óbvio que faz parte de uma parte em minha vida que poucas puderam viver, óbvio também é claro como um lindo dia de sol cheio de borboletas e transparente como água de uma nascente, assim poderá eu, dizer que jamais fui insensível.  Teu olhar me dizia muito mais do seus lábios pronunciavam, mesmo ali, naquela pequena caminhada entre a rodoviária e o hotel. Eu conheço este tipo de olhar, eu sei o que ele quer dizer, sempre fui bom nas entrelinhas e sabia que o fundo castanho escuro dos meu olhos, assim tão próximos poderia te ferir. Deite-se ao meu lado e seja eu. Quanto forte pode ser você, a ponto de ter todo esse carinho, essa ternura em corpo de mulher, esse calor que acende a noite e aquece essa cama de casal às minhas costas e adormecer? Não, não é fácil encontrar um coração que te afague tão bem como este que toca no peito ao lado. Esse que um dia já chamei de amor e que meus carinhos, meus sonhos e quem sabe até a minha vida ficou atrelada como uma só.
Não… isso é muito mais difícil se somarmos desejo. Desejo carnal, de pele. Some algo que você sabe que é bom, que você não vê defeitos e ainda assim, adormeça. Seria capaz? Se adormeceu, acredito que sua pequenina aventura, fora dos muros de sua rotina, não foi iniciada apenas como uma excursão, em busca de sexo ou prazer. O motivo de estar buscando algo assim, é bem mais nobre e completo e chego a pensar que se não for pela amizade, só pode ser paixão. E o que tem de óbvio nisso tudo?
Meu corpo tremia em uma pequenina poltrona de cinema, enquanto de braços dados, seu sorriso explodia no ar como o tilintar de várias estrelas, minha boca salivava com fome de um beijo e a consciência relutava contra algo bem mais forte do que nós. Não é fácil ser eu aqui escrevendo e imaginando, relembrando o toque quente de suas mãos pousando em minhas costas. Fica difícil explicar o gosto que tem você, o que causa em mim, tudo que eu queria  antes e o que mudou a partir de um simples toque. É tão difícil ser eu, não por esses motivos tão mau implicados aqui e narrados sem muita concordância. Más é muito difícil…

Na virada da página também foi muito bom te rever, mas o que eu trouxe comigo? Não me lembro de adeus, me lembro de um sorriso, pálido, frio, que dava ares de abandono.  Mas me lembro do gosto de um beijo, que além de beijo carrega algo bem maior.



Enquanto ilusão
16/11/2009, 18:58
Arquivado em: Devaneios

Enquanto era tudo ilusão não doía. Quando o faz de contas era só seu, ele existia apenas nos sonhos. A alegria era uma escolha, assim como a cor do cabelo que você imaginava um dia pintar. Em todas as vontades que sentia, durante o dia, durante a noite, uma pitada dele era sempre lembrada. E você sonhava com aquele jantar. Um jantar onde vocês dois estariam esperando na fila, de mãos dadas, com o vento frio do inverno soprando os seus ouvidos. O mesmo vento que soprará em uma outra noite, esta já bem mais quente, secando seu corpo após o longo banho de amor que só vocês sabiam fazer.

Enquanto ilusão, não doía, apenas causava aquela sensação de que um dia tudo poderia ser mais que apenas desejo. Tudo poderia ser ele e você.

Enquanto ilusão, não doía, eram faces de uma verdade que só dependia de um encontro, de um acerto de horas, de cinco minutos de um bom papo, algumas risadas, sonhos trocados, flerte e quem sabe algo mais. Então, deixamos na ilusão, ou fazemos doer?

Ela sempre faz doer, assim como na primavera todas as flores me fazem sorrir, no outono ela simplesmente faz doer. Eu quero que esta seja a minha ilusão, o meu faz de contas, a minha brincadeira de criança. Enquanto ilusão, isso não doía!